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Mostrando postagens de maio, 2022

ROBERTO VILLAR!!!!

  Lá na feira da CEASA de Castanhal, os feirantes e as pessoas que estavam por lá, ouviram aquele chamado muito conhecido nos programas de rádios e das festas da cidade daqueles anos de 1990:         ROBERTOOOOO VILLAAAAR!!!                 As batidas de bateria musical, teclado, guitarra e contrabaixo tocaram ali a mesmo na feira e o cantor castanhalense Roberto Villar surgiu no meio do pessoal que circulava por lá e começou a cantar: Agora eu sei (sei, sei, sei) Agora eu sei Que todo o meu amor a você Sim, eu lhe dei   Sim, eu lhe (dei, dei, dei) Sim, eu lhe dei Todo o meu coração a você Sim, eu lhe dei   Não me faça mais sofrer Eu quero você...   Alegria tomou conta da CEASA e todos dançaram ao redor do cantor. Este dançava e cantava feliz. Os integrantes da banda dançavam também e se movimentavam entre os vendedores. O Roberto Villar fez um...

A DIRETORA

  Lá do canto da esquina a gente já via a nossa Diretora Petra na frente do portão de entrada da Escola Pública Senhora Pereira. Todos os dias ela estava lá, pra verificar se a gente chegava na hora certa. Esbelta, cabelos ondulados, parda e sempre com aparência série. “Esse negócio de tá chegando atrasado na escola vai acabar, viu seus bandos de pestes?! Quem chegar aqui na escola depois do horário não entra mais não, pode ser o filho de qualquer um, até do prefeito, mas não entra mais não. Se eu pegar um de vocês pulando muro da escola vai se ver comigo. Vai pegar suspensão. Nem quero saber se os pais de vocês vão achar ruim”. Toda minha trajetória colegial estudei na escola Senhora Pereira. Do pré escolar até o último ano do segundo grau. Localizada lá no bairro onde morei e bem próximo de casa. Ali pelos anos de 1980 e até o início dos anos de 1990, Senhora Pereira sofria com falta de carteiras nas salas de aulas e de professores. Era muito comum nesse tempo de a gente ficar ...

MIRIAM

O fogo tomava conta do capim e do matagal do terreno onde ficava o principal campo de futebol do nosso bairro. Ficava ali, no canto da encruzilhada da Rua Kennedy com a Avenida Altamira. Do fundo do quintal de casa se via esse campo. Era tarde de verão daqueles anos de 1980. O fogo avançava sobre o mato seco. Eu e Lobinho corremos pra dentro de casa morrendo de medo daquele fogaréu. Entramos na cozinha chorando: “Tô com medo mamãe! Muito medo! O fogo tá vindo pra cá, pra nossa casa”. Eu chorava muito. Lobinho se escondeu de baixo da cama da mamãe. “Que arrumação é essa, menino do Satanás!?”, gritou Mamãe Branca, “O fogo tá lá longe, não chegar aqui não! Para com isso!!”. Mas eu continuava assustado. “Oh, meu filho! Eu vou te proteger! Vem aqui, vem aqui pro colo da sua avó”, disse Vovó Miriam. Miriam era mãe de criação da Mamãe Branca e a gente lá de casa a considerava como a nossa avó adotiva. Miriam era da geração do Tenente Barata, o maior apoiador do Getúlio Vargas do Estado do...

NAVE VOADORA

  Romeu tinha me chamado pra eu ir lá no quintal da casa dele. Ele queria me contar um segredo: “Menino, olha, vou te contar uma coisa. Mas tu não vai contar pra ninguém por aí, pros outros, que te vou te contar agora. Tá bom?”. Naquele quintal arborizado e que fazia fronteira com um grande terreno baldio do nosso bairro, eu confirmei que não contaria pra ninguém. “Olha, vou te contar”, continuou Romeu, “Eu tenho uma planta de uma nave voadora e a gente vai construir essa espaçonave só pra nós, beleza!?”. Fiquei por alguns segundos sem entender. “Uma planta de nave voadora?”, perguntei pra ele. “Sim, seu doido. Uma planta. Planta de uma nave que vai voar por aí. Vou te mostrar só mais tarde. Olha, não vai falar pra ninguém, viu?!”.     Voltei pra casa e fui direto pro fundo do quintal. Lá, eu me encontrei com o nosso cão danado, Lobinho. “O que foi Menino?”, me indagou o cachorrinho, “Tá tão calado e pensativo”. Eu me sentei de baixo da nossa mangueira e ele se sentou a...

A CIDADE EM GREVE OU AQUELAS ÁRVORES - PARTE 3/PARTE FINAL

          A greve dos professores e das professoras da rede de educação pública municipal de Castanhal, organizada no ano de 1980, teve grande repercussão no Brasil. Ou seja, essa experiência de luta do magistério da "cidade modelo" não se tornou conhecida somente no Estado do Pará. Tal movimento pressionou os donos do poder da Amazônia Paraense. Convido todos e todas leitoras do Correio do Osi para acompanhar o final dessa importante história social e política da cidade onde nasci. Boa leitura! A CIDADE EM GREVE OU AQUELAS ÁRVORES - PARTE 3/PARTE FINAL           Era dia 02 de maio de 1980 e o Batalhão da Polícia Militar de Castanhal enviou inúmeros soldados que ficaram de prontidão não somente na frente do prédio da prefeitura, mas também outras guarnições da polícia militar ficaram observando a movimentação da multidão na praça pública. Os soldados da polícia militar se espalharam por vários pontos da Praça Matriz São José e ocuparam o...