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Mostrando postagens de março, 2021

REVOLTA - PARTE 2

No dia 29 de março de 2021, completará 34 anos da maior rebelião ocorrida na "cidade modelo": A Revolta do Pincel (1987) . O estopim para a explosão desse revolta foi a tortura do menor Carlos Alberto Costa Rodrigues. Este tinha sido acusado de furtar dois pinceis. Ele foi preso e torturado na Delegacia Central de Castanhal. Depois de ter passado três dias na carcerária do distrito, foi liberado e faleceu (consequências do espancamento que sofreu) no sábado, do dia 28 de março de 1987.  O Blog Correio do Osi traz dois textos que publiquei no ano de 2017, no site Mas Como Então (hoje desativo). Republico aqui neste blog os referidos escritos, com algumas modificações. É importante ressaltar que tratam de dois textos que possuem elementos ficcionais e fatos reais. Boa Leitura!! A REVOLTA DO PINCEL OU HOJE A CIDADE É NOSSA     Eu morava no bairro Nova Olinda, em Castanhal. Nessa parte da cidade, nas décadas de 1970, 1980 e início dos anos de 1990; era considerada fronteira e...

REVOLTA - PARTE 1

        Em 2017, fui convidado para escrever um breve texto sobre a Revolta do Pincel para o site Mas Como Então (hoje desativado). O referido escrito tinha como título: “História Social: a Revolta do Pincel e a cultural da violência em Castanhal” que foi reproduzido em inúmeros blogs e redes sociais. Com a aproximação do dia 29 de março (dia que aconteceu a Revolta do Pincel), republico esse mesmo texto aqui no blog Correio do Osi.          As frases e palavras entre aspas não são da minha autoria. Elas foram extraídas das fontes documentais que me serviram de pesquisa como, por exemplo, a frase “narrar um fato que se deu em Castanhal”. Esta afirmação foi retirada da leitura de cordel que narra o motim. Essa rima tem como título "A Revolta de Castanhal No dia 29/03/1987", escritor por Adalton Alcântara Monteiro.           Em seguida, posto um texto inédito de minha autoria que tem como título “A Revolta do Pince...

VELOZ

  “Sabe, Tia, eu me lembro daquela manhã ensolarada, ali, perto das palmeiras de tucumã, às margens do Rio Guamá. Estava eu e Veloz, sentados e olhando serenamente para o movimentos das águas. Acho que já era quase meio dia e a gente, ali, sentados. Eu falei pra ele que eu tava entediado. Veloz olhou pra mim e disse: ‘Tu tá entediado?! Tá bom! Vamos ter um pouco de ação’. Ele lançou um assobio agudo e as águas que passavam próxima das margens começaram se agitar. Então, levantou lentamente do fundo d’água uma mulher indígena, esbelta, lábios grossos, cabelos pretos e longos, com pinturas de guerra por tudo corpo e segurava um arco e flecha. Ela sorriu e disse: ‘Olá, Veloz. Que fazer outra aposta? Dessa vez, se eu vencer, eu vou querer pupunha cozida’. Veloz respondeu: ‘Se eu ganhar, vou querer aquele jerimum que sua aldeia cultiva’. Ela: ‘Combinado!’. Eu não tava entendo nada. Veloz me falou: ‘Tu não disse que tá entediado? Então, pronto. Vamos ter um pouco de adrenalina. A Mãe D’Á...

SOVIÉTICOS

Era noite de sábado de São João do ano de 1985. As chamas da nossa fogueira estavam oponentes e nossos vizinhos formavam um circulo em torno desse fogaréu. Eles apreciavam o mingau de milho que Mamãe Branca tinha preparado naquela noite junina. Esses moradores se encontravam sentados sobre tamboretes, tocos, folhas de castanholas e pedras. Arranjados dessa maneira consumiam, em silêncio, aquela mistura de grãos de milho, leite de coco e leite condensado. Até a molecada da rua de casa bebiam o mingau calado. Isso não era normal. Em outras ocasiões de noite juninas, ocorriam verdadeiras algazarras de mulheres e homens adultos e criançada. Enquanto os pais conversavam e riam alto em torno da fogueira em chamas, a meninada corria pela rua cheia de mato e giravam seus braços em que as mãos seguravam fios que traziam amarrados palha de aço acesa. A molecada também brincava de esconde esconde pelo matagal que existia por ali, na Travessa Altamira com Presidente Kennedy. Mas naquela noite, pai...