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Mostrando postagens de setembro, 2022

APARIÇÕES OU AQUELA CHUVA DE FLORES

1         A professora Raimundinha ministrava aula de matemática quando todo mundo ouviu aquele grito que veio lá do banheiro das meninas.  “Oh, meu Deus!! O que foi que aconteceu?!!”, disse a professora. Eu lembro que levei um grande susto. Naqueles anos de 1980, a Escola Pública Senhora Pereira, onde estudei do pré escolar até o terceiro ano do 2º grau, localizada no mesmo bairro que eu morava, Bairro Nova Olinda; era uma das escolas públicas mais mal assombrada de Castanhal. Só perde pra Escola Pública Do Leitão. Este é o colégio mais antigo da nossa cidade e fica ao lado da Igreja Matriz São José Operário onde tem vários padres enterrados. Eu acho que quem já estudou no Do Leitão já presenciou visagens de padres saindo do banheiro dessa escola.           “Fiquem aqui na sala de aula, ninguém sai daqui, ouviram!!?”, disse a professora Raimundinha. Mas mesmo assim gente foi pra porta da sala pra v...

PLUTÃO: uma história...

 1 A menina saiu do seu quarto e desceu a velha escada. Depois essa adolescente passou correndo pela sala e abriu a porta e seguiu ao encontro do abraço de sua mãe. Esta, quando descia do trem urbano flutuante, já descia com os braços abertos e sorria pra filha que passava pelo portão. A mãe da garota estava cansada depois do longo dia de trabalho. Ela trabalhava além do necessário para se manterem. Mesma exausta, tinha força de sorrir para sua única filha que era a sua companheira e confidente. Foi assim por muitos anos, se repetia essa cena dos finais das tardes do abraço entre a mãe e filha que eram mulheres negras que moravam no Norte da Costa Atlântica da Amazônia. A menina cresceu e teve que sair de sua casa para seguir seus sonhos. Desde então, passou a lembrar e a sonhar que descia da escada, que corria pela sala, que abria a porta, que atravessava o portão para abraçar sua mãe. Teve vários momentos que pensou desistir dos estudos de engenharia aérea espacial e retornar p...

ÍNDIOS

“Vocês parecem índios, sabiam disso!? Hahahaha!”, falava às risadas o Menino da Capital pra nós, pros Moleques da Rua de Casa, “Andam tudo descalços, sem camisa e tudo sujos Hahahahaha!!”. Ele passava férias escolar na casa da tia dele, a Dona Bel, que morava lá na Rua Coronel Leal. Cansado de ficar o dia todo na casa da sua tia, resolveu conhecer o bairro. Andou e andou até chegar onde a gente estava, ali, na encruzilhada da Rua Presidente Kennedy com a Avenida Altamira, próximo do Camping Ibirapuera. Não se apresentou pra nós, simplesmente se aproximou e nos chamou de índios.                                                                       “Essa cidade só tem mato, ruas só poeiras e de noite tudo é muito escuro nessas ruas daqui. Não sei como é que vocês, bando de índios, moram nessa cidade feia. Muito fei...