ROBERTO VILLAR!!!!

 

Lá na feira da CEASA de Castanhal, os feirantes e as pessoas que estavam por lá, ouviram aquele chamado muito conhecido nos programas de rádios e das festas da cidade daqueles anos de 1990:


        ROBERTOOOOO VILLAAAAR!!!   

   

        As batidas de bateria musical, teclado, guitarra e contrabaixo tocaram ali a mesmo na feira e o cantor castanhalense Roberto Villar surgiu no meio do pessoal que circulava por lá e começou a cantar:


Agora eu sei (sei, sei, sei)

Agora eu sei

Que todo o meu amor a você

Sim, eu lhe dei

 

Sim, eu lhe (dei, dei, dei)

Sim, eu lhe dei

Todo o meu coração a você

Sim, eu lhe dei

 

Não me faça mais sofrer

Eu quero você... 


Alegria tomou conta da CEASA e todos dançaram ao redor do cantor. Este dançava e cantava feliz. Os integrantes da banda dançavam também e se movimentavam entre os vendedores. O Roberto Villar fez um giro e girou, girou e passou a cantar outra música: 


Você é tudo

Que eu queria

Você me traz paz

Você me traz alegria

Você é tudo que eu sempre sonhei

Ficar do lado sempre desejei  

   

Ninguém parava de dançar. Toda feira ficou dançante, mais pessoas chegavam e dançavam. Tudo era movimento. Roberto Villar caminhava entre as pessoas e cantava, dançava e fazia incríveis passes com seus pés. Esse cantor fez muito sucesso por todo Brasil no final dos anos de 1980 e na década de 1990. Em Castanhal, todos conheciam e cantavam seus bregas e nos shows do cantor causavam verdadeira euforia. Os bregas do Roberto Villar também fazem parte das minhas lembranças que tenho lá de casa, lá no Nova Olinda, dos anos de 1990. Mamãe Branca gostava de ligar o rádio pra procurar as músicas do bregueiro famoso quanto preparava o café da tarde.

Roberto novamente fez outro giro e parou de repente. Pediu silêncio pra sua banda. O silêncio tomou conta da Feira da CEASA. Depois ele pediu pra todos segui-lo. Ele foi andando até chegar na Avenida Barão do Rio Branco e logo dobrou lá na esquina e se dirigiu para Praça da Matriz São José. Muita gente o seguia. Ele se virou pediu mais silêncio e todos o acompanharam calmamente o cantor e o viram se escondendo atrás da grande mangueira que tinha na praça. Todos se esconderam lá com ele. Lá na frente da Igreja Matriz estava uma linda noiva. Quando ele a viu, cantou tristemente: 


Domingo eu te vi

Lá na Matriz

       Tava tão linda

E tão feliz 

Com outro que ia se casar

Toda de branco no altar 


E todos choraram discretamente quanto ele cantava esse brega. Roberto Villar se sentou em um dos bancos da praça pública. A noiva ainda o viu e aquele ajuntamento de gente, mas não se importou e entrou na Igreja Matriz. Um amigo do cantor, que fazia parte da banda, disse pro Roberto que o barco estava pronto. E que estava lá no meio da avenida aguardando o embarque deles. O cantor olhou seu barco que flutuava lá na passagem principal da cidade. Eles embarcaram e saíram navegando voando para o horizonte e saltou seu chamado: 


ROBERTOOOO VILLAAAAR!!!!


             Do barco veio essa canção: 


Eu vou viajar pra Ilha do Marajó

Depois vou a baixo Tocantins

Não existe outra ilha melhor 

Eu quero ver o nascer do sol

Por trás daquela Açaizeira...

Eu quero ouvir o canto dos pássaros

E os vaqueiros tocando os bois

Eu quero correr nos verdes campos

Na Ilha do Marajó 


O barco pousou no palco lá na Ilha do Marajó onde Roberto Villar fez um dos seus fantásticos shows. A multidão que o aguardava vibrou de alegria quando viram ele descendo do barco acompanhado da banda. O show foi sensacional. Quando espetáculo terminou ele saltou e saiu voando: 


ROBERTOOOO VILLAAAAR!!!!!!!!!! 


Ele voou bem alto e pousou sobre uma das asas do avião de passageiros que voava além das nuvens. Logo a banda pousou na outra asa. O piloto e copiloto saudaram e pediram uma música. Roberto Villar deu sinal pro seu grupo: “Um, dois, três...agora!”, e cantou: 


Quando eu cruzar o Marco Zero em Macapá

Eu vou me banhar na Fazendinha, Praia de       Araxá

Quando eu cruzar o Marco

Zero, a Linha do Equador

Vou te enviar cartão, postar

Versos de amor

...

Eu vou dançar Marabaixo

Com meus irmãos negros

Em Curiaú

Eu, eu, eu vou dançar

Marabaixo

Com meus irmãos negros 


Saltou, voou, voou dançando e girando ao redor do avião e foi pousar lá na comunidade Quilombola de Curiaú, no Estado do Amapá. Desceu bem no momento em que se dançava Marabaixo. “Que dança alegre e divertida”, falou pra si mesmo Roberto Villar. “Essa dança me faz lembrar o carimbó lá do Pará”. Depois das danças, da admiração que teve com as habilidades dos tocadores de tambores e de ter conversado com os mestres da percussão dessa tradição e com moradores negros que descendem dos africanos escravizados, ele se afastou e se sentou numa raiz de uma enorme jaqueira. Ficou ali, pensativo. Ele refletia sobre todo seu sucesso, reconhecimento e viagens. Lembrou da sua cidade, dos seus amigos e do seu amor que ficaram lá, esperando por ele.

Nesse momento, pousou uma Sabiá gigante ao lado dele. “Vamos, Roberto. Vamos voltar pra Castanhal. Eu te levo. Eu moro pra lá também, em Castanhal. Vem, sobe aqui”. O cantou se levantou e montou sobre aquele pássaro de canto incrível. Os dois partiram voando. Lá em cima, entre as nuvens, Roberto Villar abriu os braços e iniciou mais uma canção:


Hoje no verdes das matas

Majestade o Sabiá

Vamos fazer serenata,

Majestade o Sabiá

Hoje é lua de Prata,

Majestade o Sabiá

Convidar joão de barro

Majestade o Sabiá


Banhando na cachoeira

Vi Sabiá laranjeira

Com o seu lindo cantar

Fez eu se apaixonar


Oh Majestade, o Sabiá

Oh Majestade, o Sabiá 


O voou com Sabiá levou Roberto Villar apreciar o horizonte, o firmamento e a terra lá em baixo. Notou como as nuvens passavam, se juntavam, se dispersavam. Como elas eram passageiras. Pensou na existência de tudo aquilo, na beleza do mistério de todas as coisas da natureza. Ainda viu sua banda logo ali, sobre aquele aglomerado de nuvens coloridas, tocando e acompanhando o voo do cantor e do pássaro.

Sabiá pousou lá na Avenida Barão do Rio Branco, ali, onde essa via forma uma encruzilhada com Avenida Altamira. Roberto se despediu da Sabiá, que retornou voando para o céu; pegou sua guitarra e passou fazer um solo. Seguiu cantando e andando sozinho na direção do bairro Ianetama onde ele morava. E cantava:

 

Aquela nuvem que passa

Lá em cima sou eu

(sou eu, sou eu)

Aquela estrela que brilha

Lá em cima sou eu

(sou eu, sou eu)

 

Sou as curvas do vento

Sou eu a areia do mar

Sou o verde das matas

Sou eu a luz do luar

(do luar, do luar)

 

O sertanejo que vaga

Mundo a fora sou

Sou eu, sou eu

Sou eu, sou eu 


Quando ele chegou lá na esquina da rua da sua casa, olhou para trás e viu todas suas músicas, melodias, a banda, seus fãs, a plateia dos shows, os espetáculos, o sucesso e as pessoas legais que conheceu nessa trajetória no ritmo do brega. Aí se virou novamente, colocou a guitarra na suas costas, sorriu e caminhou tranquilamente até chegar na sua moradia. Atravessou o portão e entrou na sala da sua casa e fechou a porta. Ao final dessa história musical, a plateia da cidade de Castanhal ainda ouviu:


ROBERTOOOO VILLAAAAR!!!


Fim...(?)

 

 

CRÉDITOS (ao som instrumental do ritmo do brega)

AS MÚSICAS CANTADAS NESSE MUSICAL FORAM AS SEGUINTES:

 

1-     Agora Eu Sei

2-     Você É Tudo

3-     Domingo na Matriz

4-     Férias no Marajó

5-     Macapá, Amapá, Brasil

6-     Sabiá

7-     A Nuvem

 

 

 

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