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Mostrando postagens de janeiro, 2022

PIRATARIA

  ATO 1       “Homem ao mar!!! Chame a Capitã!”. Todos piratas ficaram alvoraçados e passaram correr de um lado para outro para resgatar a pessoa que estava à deriva por aquelas águas distantes. Esses corsários eram formandos por homens e mulheres de diferentes lugares e de costumes diversos. Eram pretos, brancos, asiáticos e até indígenas. Toda essa gente fazia parte da tripulação do Navio Pelo Avesso que tinha como comandante a Capitã Pirata. O Pirata Cantor, um dos corsários negros dessa embarcação, estava em cima da cabine particular da Capitã e deu um salto até ao meio da embarcação. Ali, na meia nau, olhou ao redor e começou a cantar: “Homem ao MAAAAAAR!!!!!!!!!!”, ele era tenor, “MAAAAAR!!”. Outros piratas que sabiam cantar, passaram à acompanhar o pirata da voz aguda: “AO MAAAARRR!”. Quem entoava eram as Piratas Tenoras. Depois, numa voz suave, elas seguiram, junto com Pirata Cantor, cantando: “Homem no Tenebroso Firmamentooooo!!”.   ...

SONHO

  1 Meu irmão Ozias pegou a bicicleta barra circular do Papai Touro e saiu pedalando escondido. Antes de fazer isso, ele me chamou e falou: “Vamos pegar a bicicleta do papai e chamar o pessoal pra gente ir lá pro rumo do Rio Janjão, pra pegar jaca manteiga”. Ele pedalava e eu ia montado na garupa da bicicleta e Lobinho ia sentado na cabeça do meu irmão. Na verdade, quem deu a ideia de pegar a bicicleta do papai foi Lobinho que era um cachorrinho vira lata de raça misturada que tinha uma pelagem laranja escuro com algumas mexas brancas. Esse cão não latia assim: auauauau! Mas latia assim: aahuuuuuuuuuuuuuu! Como os lobos daqueles filmes que passavam na Sessão da Tarde. Por ter esse latido diferente, Mamãe Branca o batizou de Lobinho. 2 Lobinho já tinha chamado toda Molecada da Rua de Casa e a gente já estava na estrada da Transcastanhal seguindo para o Rio Janjão. Era mais ou menos seis bicicletas velhas e cada uma tinha dois moleques lá da rua. A nossa tinha três moleques: Ozia...

LETRAS

  1 A gente seguia por aquele caminho cercado de mato e de grandes árvores. Essa passagem estreita, que passava uma pessoa por vez, ligava a velha casa da Vovó Alda à vários terrenos e igarapés lá da Cabeceira do Apéu. Ao final desse caminho se chegava à rodovia municipal de piçarra chamada Transcastanhal. Do outro lado dessa via, o caminho continuava por uma escolinha pública. Essa escola tinha forma de casa: erguida toda de tábuas, de madeiras firmes e constituída de grandes janelas: uma na frente, que acompanhava a porta de entrada; e uma de cada lado das laterais do estabelecimento de ensino; e outra aos fundos. Escolinha era pintada de azul celeste e branco. Quem cuidava dessa residência das primeiras letras  e ministrava aula era uma professora que já estava aposentada. Ela era branca, possuía cabelos curtos e grisalhos e de olhos verdes. Sempre usava um vestido longo e de cores básicas. 2 Nesse caminho seguia Vovó Alda, Mamãe Branca, eu e minha irmã Kekel. Caminha...

CONSTITUIÇÃO

Na cidade de Aquiateua morava o prefeito da cidade de Aliateua. Essas duas cidades eram próximas uma da outra. O prefeito de Aliateua se chamava Lobito. Ele ia pela manhã, cinco vezes por semana, para Aliateua e, no final da tarde, depois de exercer seus deveres de gestor republicano municipal; retornava para Aquiateua.   Uma certa manhã nublada de domingo, o prefeito Lobito teve uma surpresa na frente da sua casa. Tinha se juntado vizinhos que queriam falar com ele: “Ô, Seu Lobito!”, indagou o vizinho que parecia ser o líder daquele grupo, “A gente não queria te incomodar. Mas, como senhoria tá vendo, a nossa rua tá só buraco e lama. Já enviamos solicitações por escrito ao nosso prefeito, pra prefeitura resolver o problema da nossa rua. Mas não tivemos nenhum retorno. O inverno tá longe de acabar e rua continua assim: sem condições de a gente caminhar por ela. Como senhoria é prefeito em outra cidade, lá da cidade de Aliateua, a gente pensou que a senhoria poderia falar com o no...