LAMPARINA
A gente ria dentro da sala escura. Risadas discretas, risadas sufocadas, risadas que ficavam presas nas bochechas. Ninguém sentia medo daquela escuridão. Mesmo com a janela aberta da sala, a obscuridade tomava conta do ambiente, até porque existia uma enorme jaqueira quase de frente da casa velha onde a gente estava. Essa gigantesca árvore impedia de enxergar a noite estrelada sem luar. Os risinhos e cochichos cessaram quando vimos aquela pequena língua de fogo que surgiu bem ali, nos fundos do único quarto daquela antiga moradia cercada por matagal e árvores. Agora a silêncio era total. A pequena língua de fogo ia se aproximando e abrindo passagem para aquela que trazia essa reduzida chamas. O cheiro de querosene tomou conta da sala quanto a gente via, mesmo com iluminação limitada, a expressão daquela matriarca de olhar firme que passou pela sala e seguiu para cozinha. “Ô, seus filhotes de lobisomens! Pensa que não sei, que andam por aí, com malcriação de vocês?! Ô, bando de ...