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Mostrando postagens de dezembro, 2020

VÍRUS

  ATO I                                                                           TRANSEUNTES A jovem Maria estava angustiada no interior do trem urbano. Ela não dormiu bem a noite toda. Essa insônia foi provocada por causa da piora do estado de saúde de sua mãe. Esta se encontrava internada na Unidade de Extrema Observação do Hospital de Tratamento Especial Público (HTEP). Maria soube que o exame realizado a partir da amostra da saliva coletada de sua mãe deu positivo para o Vírus 19. Este vírus atacava todo sistema respiratório do ser humano. A contaminação desse vírus se tornou uma pandemia. As principais nações tomaram medidas extremas para evitar a disseminação da doença. Como não existia qualquer vacina ou tratamento para combater o avanço do vírus, os Chefes de Estados e de Governos, atrav...

LOVE

Jabutina e Jabutino passavam o dia todo fazendo amor lá no jardim da Mamãe Branca. “Ô, Touro. Esses jabutis passam o dia fazendo essa pouca sem-vergonhice”. Papai Touro comia pão com farinha na merenda da tarde. “Ô, mulher. Deixa os bichos aí sossegados. Não tão fazendo mal pra ninguém HAHAHAHA”. Quando Mamãe Branca estava colocando carvão no ferro de passar roupa, o nosso cão Lobinho entrou na cozinha gritando: “Mamãe!! Papai!! Tem filhotes de jabutis no jardim e no quintal de casa!”. Papai se levantou do banco lá da cozinha e foi ao jardim que ficava lá na frente de casa: “Vixi!! Tem uns dez jabutizinhos por aqui!!”. Lá da cozinha mamãe gritou: “Ô, Touro. Tira esses bichos daí!!! Eles vão comer minhas plantas!!”. Papai Touro agarrou os dez filhotes de jabutis e os levou para o fundo do quintal onde encontrou mais seis jabutizinhos. “Tomá-la ti!! Dezesseis danados!!”. Manel Preto passou junto da cerca e viu Touro segurando os filhotes. “Eita Touro!! Me arranja uns seis desses jabutis....

XÍCARAS

Mamãe Branca caminhava com muita pressa sob o sol de uma da tarde. Ela andava ali, na Avenida Altamira e queria chegar o quanto antes numa casa que ficava próxima da encruzilhada da Avenida Altamira com a Rua Coronel Leal. Essa casa ficava quase de frente do Bar Holiúde. Mamãe Branca tinha pressa porque não queria que ninguém a visse entrando lá. Nessa morada residia uma mulher jovem que fazia simpatias e interpretava sonhos. Ela morava sozinha e talvez tivesse no máximo trinta anos. Uma das vizinhas dessa moradora, conhecida como Dona Fefínia, contava por aí muita coisa a respeito dessa mulher solitária. Esta se transformava, contava Dona Fefínia por todo bairro Nova Olinda, em cavalo nas noites de lua cheia, virava coruja e até alimentava a Cobra Gigante que Tinha Chifre e Cabelos que habitava lá nos fundos do açúde do Camping Ibirapuera. Fefínia andou falando ainda que certa vez, numa madrugada, viu a moradora misteriosa entrando na Bola de Fogo ou Chupa Chupa para voar por aí par...

ABRAÇO

O Abraço da Noite era uma assombração. “Ô, Compadre Touro. O diácho do vulto arranjou de aparecer de novo. Ver se pode?!!”. O Abraço da Noite, vez e outra, atormentava a comunidade do Janjão.  “O quê?!! Não diz isso!! Sério?! Quando apareceu de novo?”. Essa assombração ou vulto aparecia nas noites sem lua. “Ô, Touro. Foi ontem mesmo, quase de madrugada”. Quem passava por ali, nos anos de 1980, próximo do Rio Janjão altas horas da noite, corria o risco de ser abraçado por essa visagem. “Que diabo! Quem assombração abraçou agora?”. Quem fosse abraçado pelo vulto ficava todo dolorido, com a vestimenta rasgada e com hematomas pelo corpo. “Ô, Touro. Foi Sabá Leiteiro que foi abraçado. Ele tá lá, todo dolorido e assustado, lá na casa dele”.   A comunidade do Janjão se localizava no interior da cidade Castanhal e próximo das margens do Rio Janjão. A estrada Transcastanhal levava até a comunidade. Essa via, nas décadas de 1970, 1980 e até a maior parte dos anos de 1990; era de piçar...