A GRANDE JANELA ABERTA
Era um sobrado triste de madeira que ficava às margens da estrada Transcastanhal. Ficava ali, perto do Rio Janjão. Eu era bem pequeno. Não me recordo da idade que tinha. Tava acompanhado da minha mãe. Ela tinha ido visitar essa casa. Os moradores dessa residência já esperavam pela gente e assim que nos viram, logo nos convidaram pra entrar. Eram um casal de idosos que carregavam sorrisos discretos entretecidos. “Teve essa chuvinha aí, mas logo passou, tá uma tarde boazinha, né?!”, falou o velho com seus cabelos ralos e brancos quando nos conduzia até a entrada da casa. Ele era um homem pardo, baixo e truncado. Realmente me lembro que tinha caído um pouco de chuva mais cedo. Naquela hora, que já passava das quatro da tarde, as poucas nuvens pesadas lá de cima se dispersavam e o azul do céu se expandia novamente. Quando a gente entrou na sala do sobrado, a gente se deparou com uma cama de solteiro que tava quase no meio desse espaço e tinha uma menina com mais de dezessete anos d...