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Mostrando postagens de outubro, 2020

Bode

 Chico Bezerra não parava de saltar berros quando dava voltas pela varanda do seu casarão: “Malditos! Malditos! Bando de Satanás!!”. No interior daquela residência acontecia um verdadeiro estropício dos seus filhos e filhas. Eles acompanhavam os passos do pai pelas janelas dos quartos, das salas, da cozinha e pelas portas que davam acesso para parte externa do casarão. Alguns tensos e outros rindo dos modos do Chico Bezerra. “Malditos!! Será o Satanás?!!! É eu que vou resolver tudo isso?!!”. Alfredo, o filho mais novo, ria dos gritos do pai. “Eita!! Que papai hoje tá levado à bexiga!”. Chico Bezerra e toda sua família migraram do sertão do nordeste para Amazônia. “Alfredo! Tira essa tua cara da janela”, disse Carminha, irmã mais velha. Chico Bezerra, ainda muito jovem, não perdeu tempo no porto de Belém. Juntou todos da família e foram para estação de trem e embarcaram na Maria Fumaça. “Pera aí, Carminha!! Me deixa!”. Bezerra e família desembarcaram na estação de trem da Vila de Ca...