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Mostrando postagens de junho, 2021

JOÃOZINHO

 1 Joãozinho adorava falar sobre filmes: “Égua, vocês assistiram o filme de ontem a noite, que passou ontem, depois da novela? Aquele artista era muito bom, acelerava o caminhão feito capeta naquelas estradas. Era parte 2, porque tem outro filme, o primeiro filme dele. O primeiro filme é bom também. De ontem era parte 2, é bom demais. Manu Max , esse é o nome do filme. É bom, viu?! No final do filme, Max acabou com aqueles dois bandidos. Ele fez retorno do caminhão porque sabia que o outro bandido tava vindo de carro feito uma bala. Sabia que os dois ia se esbagaçar na estrada.   Ei, papai! Antes disso, esse Max pegou esse caminhão que carregava gasolina e colocou uma grade de ferro na frente desse caminhão, deu jeito lá pra colocar a grade e saiu passando por cima de tudo na frente e sumiu no deserto. Mas os bandidos não desistiram não. Eles pegaram motos, carro pequeno, carro grande e saíram lapados atrás do artista. Mas o artista foi matando um por um, passando por cima d...

DÁRIO - PARTE 2

  “E agora, Brunão!? Não conseguimos nada até agora. Será que a gente vai conseguir juntar dinheiro até sábado, pra fazer a festa do seu aniversário?!”, disse Mimo quanto olhava para o sol escaldante de meio dia. “Ei, bicho! Não sei não. Essa galera é só furo. É por isso que tamo aqui em busca de alguma coisa que possa render dinheiro pra nós”, respondeu Brunão. Os dois estavam montados sobre as suas Formigas de Mais de Três Metros e elas caminhavam lentamente pela movimentada Feira da CEASA da cidade de Castanhal. A formiga do Brunão era avermelhada e a formiga do Mimo era verde musgo.   Brunão vestia uma velha armadura de cavaleiro medieval e segurava uma lança de dois metros e ainda tinha espada e escudo amarrados juntos da cela de montaria. Mimo, homem de mais de quarenta anos, branco, com uma barriga um pouco elevada,   vestia túnica marrom franciscana e calçava chinelos de borracha, não parava de enxugar o suor da sua testa com lenço indiano.   Os dois esta...

DÁRIO - PARTE 1

  “Tá aqui a chave de casa. Cuide bem dela, viu?!”, disse Professor Dário ao Brunão. “Pode deixar, chefia! A casa tá em boas mãos! Sempre esteve hahahaha. Amigos é pra ajudar outros amigos”. Dário pegou mochila de viagem e sua bolsa de professor que continha alguns livros e assobiou: “FÍÍÍÚÚÍÍÍÍ!!!”,pousou seu tapete voador em frente da casa dele. Subiu e se sentou sobre alfombra com suas bagagens. Olhou para Brunão para se despedir quanta alcatifa passou a flutuar lentamente: “Eu voltarei daqui a 30 dias! Qualquer problema inesperado na minha casa, avisa-me, que eu retorno logo, tá bom?!”. Brunão respondeu sem perder tempo: “Aviso sim! Pode deixar comigo! Vai em paz!” O tapete voador ganhou altura, velocidade e sumiu naquele horizonte de nuvens. Brunão foi ao telefone público mais próximo, tirou uma ficha telefônica do seu bolso e a colocou no aparelho e discou os números que tinha anotados de caneta na palma de sua mão esquerda. Depois de algumas chamadas, alguém do outro lado ...

MERENDA

  ATO I O maior terror que pairava sobre nós era quando as nossas mães nos chamava aos gritos. Eu e a Molecada da Rua de Casa nos tremíamos todo ao ouvir esse chamado: “Emanueeeellll!!!!!!!!!!! Cadê tu seu sem vergonha!!!!!!!”, “Romeeeeeuuuu!!!!!!!!!!! Seu moleque doido!!”, “Augusstooooooosss!!!!!! Vem pra casa seu filhote de lobisomem!!!!!!!!!”, “Menino do Satanás!!!!!!!!!!!!!!!!!”. Ai daquele que não respondesse. Quem não respondesse logo levava uma surra de chinela, ou de cinturão ou de galhos de goiabeira.   A demora em responder o chamado significava para as nossas mães que a gente estava num lugar longe praticando coisas proibidas ou estava simplesmente se recusando em obedecê-las. Na verdade, elas pensavam tudo isso junto. Olha que Mamãe Branca falava pra mim: “Onde tu tava, seu moleque?! Tava por aí fazendo coisa que não presta, né?! Por isso não veio logo, né?! Preferiu ficar lá, onde tu tava, fazendo sem-vergonhice no mato, né?! Seu peste!!! Vai pegar uma pisa pr...

XEPÃO

  “ Vocês já sonharam lutando contra um Louva Deus? Tu é doidé!! É escroto demais lutar contra um bicho desse...o bicho vinha assim, com aquelas patas gigantes pra cima de mim. Aí eu pegava pelo pulso das patas desse animal que tentava me agarrar...Ave Maria!! Era muito sofrimento. O danado tinha muita força...mas eu resistia a qualquer custo. O inseto de ruim ainda tentava me hipnotizar para me vencer. Mas eu não desistia de lutar não, eu usava todas as forças que tinha para vencer aquele animal verde que parece coisa do outro mundo. ‘Eu vou te matar!!’, a desgraça ainda dizia isso! Mas lutei, lutei assim...”, de repente risadas interromperam o relato que eu fazia do meu sonho: “hahahahaha! Sai daí doido!! Tu só fala doidisse!! Hahahahaha!”.   Eu me calei um pouco, mas logo respondi: “Vocês falam isso porque nunca sonharam lutando contra um Louva Deus...”, mais risadas: “HAHAHAHAHAHAHA. Ai, ai. A gente vem pra ouvir rock,   aqui na Bar do Jr, já é meia noite e tu e Xep...