PLUTÃO: uma história...

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A menina saiu do seu quarto e desceu a velha escada. Depois essa adolescente passou correndo pela sala e abriu a porta e seguiu ao encontro do abraço de sua mãe. Esta, quando descia do trem urbano flutuante, já descia com os braços abertos e sorria pra filha que passava pelo portão. A mãe da garota estava cansada depois do longo dia de trabalho. Ela trabalhava além do necessário para se manterem. Mesma exausta, tinha força de sorrir para sua única filha que era a sua companheira e confidente. Foi assim por muitos anos, se repetia essa cena dos finais das tardes do abraço entre a mãe e filha que eram mulheres negras que moravam no Norte da Costa Atlântica da Amazônia.

A menina cresceu e teve que sair de sua casa para seguir seus sonhos. Desde então, passou a lembrar e a sonhar que descia da escada, que corria pela sala, que abria a porta, que atravessava o portão para abraçar sua mãe. Teve vários momentos que pensou desistir dos estudos de engenharia aérea espacial e retornar para sua casa e ficar ao lado da sua mãe. Mas a jovem foi forte, seguiu em frente e se tornou uma grande Cosmonauta.

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Doutora Sâmia, aqui é o Capitão da Nave Orbital de Plutão 0301. Doutora!” A Cosmonauta e Doutora Sâmia acordou flutuando na gravidade zero entre os monitores e paneis da Nave Plutão de Recepção 027 que orbitava o Planeta Terra. “Doutora!? Você está bem? Por favor, responda”. Ela tinha sonhos recorrentes dos momentos que corria para abraçar sua mãe. Essas sensações se intensificaram ainda mais com o falecimento da sua genitora. Após superar o luto, Sâmia já completava a décima quinta missão na orbita da Terra e sem contar de inúmeras missões de reconhecimento que participou na orbita e no solo de Plutão.

“Eu estou na escuta, Capitão. Desculpa. Eu estava cochilando”. Ela manuseou alguma teclas que estava acima da sua cabeça que fez aparecer num monitor o esquema da trajetória de deslocamento da Terra até Plutão. “Nossa! Que susto Doutora Sâmia! Pensava que tinha acontecido alguma coisa com você”, riu e continuou “Por favor, monitore no Sistema de Acompanhamento da Nave Plutão de Recepção 027 se está alinhado ao Sistema de Navegação do Transportador de Amostras de Plutão”. A Cosmonauta se lançou no interior da nave de recepção e foi flutuando até ao monitor de navegação. Teclou e abriu o alinhamento de navegação. “Capitão, está tudo dentro da normalidade. O sistema de navegação das duas naves estão alinhados”. Capitão da Nave Orbital de Plutão logo respondeu: “Muito bem. Daqui algumas horas você terá a visualização do transportador. Esse módulo já passou da órbita da Lua”.

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A Cosmonauta Sâmia visualizava pela janela da nave de recepção a aproximação do transportador. Ao enxergar esse módulo espacial, ela iniciou o processo de recepção das amostras que vinham do longínquo planeta do nosso sistema solar. Mas de repente o Monitor de Identificação de Lixo Espacial deu alerta. “Droga!”. Ela consultou o sistema de identificação e viu um objeto que se aproximava rapidamente do transportador. Era o resto de um velho satélite norte americano que ia de encontro com módulo de amostras. O impacto foi inevitável. A colisão tirou o Transportador de Amostras de Plutão do alinhamento e, em seguida, se dirigiu para entrada da atmosfera da Terra. Todo trabalho de coleta geológica e de outras materiais primas extraída de Plutão, que serviriam de pesquisa nas universidades, pulverizariam com atrito com as camadas da atmosfera terrestre.

“Droga! Droga! Droga! Preciso fazer alguma coisa!”. Sâmia já estava usando a Roupa Espacial de Simulação Atmosférica. Isso fazia parte do protocolo de segurança na iniciação da acoplagem entre as naves. Então, ela logo colocou o capacete, entrou na câmara de descompressão e se lançou para o frio vacou do espaço com mochila de jatos de ar inseridas nas costas da roupa espacial. Acionou os propulsores e voo pelo vazio. Qualquer exagero no jato, ela poderia ultrapassar o módulo de amostras e diminuir a chance de resgatar o transportador.

O protetor visual do capacete possuía todos os cálculos e medida da distância entre Sâmia e o módulo que estava fora de rota. O Sistema da Tela Protetor do Capacete Espacial indicava que em poucos minutos ela alcançaria a nave que trazia os dados de Plutão. “Preciso alcançar esse transportador a qualquer custo. Tenho que entrar e fazer o alinhamento de forma manual”, pensava ela consigo mesma. “Doutora! O que aconteceu? O que causou esse impacto na nave de amostras?”. “Capitão! Na escuta! Eu já estou alcançando...” Mas a Cosmonauta não completou a resposta porque explodiu repentinamente o transportador e as ondas da explosão à lançou para direção da atmosfera terrestre.  

“OH, droga! Droga! Alguém na escuta??!! Responda! Alguém na escuta?!!!! O Transportador de Amostras de Plutão explodiu! Repito: o transportador não existe mais. Explodiu!!! O impacto da explosão me lançou pra Terra. Alguém na escuta?!!! Eu estou entrando na atmosfera da Terra!!!!!!”.  Ninguém respondia. Ela só ouvia chiados no sistema de comunicação do capacete.

A Cosmonauta Sâmia girava no silêncio do vácuo. Tudo em torno dela girava: A Terra, a Lua, o Sol que começava a nascer, ali naquele polo terrestre; e os destroços do módulo transportador que já entrevam na atmosfera do nosso planeta. O protetor visual do capacete começava a rachar. O oxigênio rapidamente se esgotou e ela passou ficar sufocada. E foi caindo, caindo, caindo. O capacete foi arrancado por causa do atrito atmosférico e parte da roupa espacial começou entrar em combustão. Mas ela continuava viva e viva caiu num grande rio. A queda livre sobre as águas a fez mergulhar fundo. Não ficou inconsciente e logo retornou para superfície. Nadou até às margens.

Depois de breve minutos, ela se olhou. Viu que maior parte da roupa estava chamuscada. Retirou equipamentos danificados das luvas e dos ombros. Mesma tonta, se levantou e seguiu um caminho que estava a diante. Caminhou por alguns minutos e encontrou uma casa. Era sua casa. A mesma casa onde ela descia as escadas, passava pela sala, sai pelo portão e ia abraçar sua mãe. Isso mesmo. Era sua casa de infância. Ela estranhou. Mesmo assim ela se aproximou daquela saudosa residência. Antes de chegar ao portão, mãe dela surgiu na porta de entrada da casa. “Oi, filha. Você já chegou?! Nossa! Que surpresa! Chegou cedo. Venha! Entre!  O jantar já está pronto”. 

Os olhos da Cosmonauta lagrimaram. “Mamãe!!?? É você??!!! Que saudades!!”. Elas se abraçaram. “Oh, minha querida filha, você deve estar cansada. Não chore mais. Agora tudo ficará bem.”. Antes de entrar na casa elas olharam para o céu que escurecia e viram uma estrela cadente que caia lá longe. Em seguida, entraram e fecharam a porta...

 

Comentários

  1. Não é a primeira vez que gosto muito de um conto deste blog, mas a emoção desta leitura foi única e mais profunda.
    Lembro da minha avó.
    Coisa mais linda essa junção: afeto e universo. Amei!

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  2. Gratidão Manuela por você se emocionar por esse conto. Muito obrigado 🙌🏾🙏🏽

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