DÁRIO - PARTE 1

 

“Tá aqui a chave de casa. Cuide bem dela, viu?!”, disse Professor Dário ao Brunão. “Pode deixar, chefia! A casa tá em boas mãos! Sempre esteve hahahaha. Amigos é pra ajudar outros amigos”. Dário pegou mochila de viagem e sua bolsa de professor que continha alguns livros e assobiou: “FÍÍÍÚÚÍÍÍÍ!!!”,pousou seu tapete voador em frente da casa dele. Subiu e se sentou sobre alfombra com suas bagagens. Olhou para Brunão para se despedir quanta alcatifa passou a flutuar lentamente: “Eu voltarei daqui a 30 dias! Qualquer problema inesperado na minha casa, avisa-me, que eu retorno logo, tá bom?!”. Brunão respondeu sem perder tempo: “Aviso sim! Pode deixar comigo! Vai em paz!” O tapete voador ganhou altura, velocidade e sumiu naquele horizonte de nuvens.

Brunão foi ao telefone público mais próximo, tirou uma ficha telefônica do seu bolso e a colocou no aparelho e discou os números que tinha anotados de caneta na palma de sua mão esquerda. Depois de algumas chamadas, alguém do outro lado da linha atendeu: “Alô, quem fala?”, “Oi, Katiane. Sou eu, Brunão. Avisa aí pra nossa turma que eu já tô com a chave da casa do Professor Dário. Tá tudo certo pro meu aniversário pra sábado! tá bom?!”.

Todo ano era assim: Dário viajava a trabalho e a gente usava a casa do professor para fazer o aniversário do Brunão.

***

A Bruxa Sonífera vomitou fora do vaso sanitário ao som de Smells Like Sipirt, da banda Nirvana que tocava lá do corredor da casa. “Bruxa dos Seiscentos!! Tu sujou todo o banheiro!!Obora logo, usa tua magia para limpar esse vômito...”, gritou desesperado Brunão. “Calma! Eu vou limpar já já...opa! Deixa passar mais esse álcool do sangue...é porque, sob efeito do álcool, minha magia fica distorcida. É melhor não arriscar...”. “yeah!!!”, gritou Kurt Cobain...

Brunão caminhou pela casa do professor e movia a cabeça negativamente. A voz potente de André Matos tomava conta da sala: “Simple minded brain, for now you succumb...”, ouvindo esse som da banda Angra, até que se animou. Mas três infelizes convidados estavam em cima da mesa da sala como estivessem possuídos por entidades do outro mundo, pois sacudia suas cabeças sem parar. “Ei, pera lá! Assim vocês vão quebrar a mesa! A casa não é minha...”. Mas eles fingiram que não ouviram.

Lá na cozinha tinha um convidado desconhecido que bebia cachaça e gritava sem parar: “O homem não foi pra lua! O homem não foi pra lua! O homem não foi pra lua!”. Brunão se aproximou dele e o perguntou: “Ei, seu Filhote de Cruz Credo! Quem te convidou?!”. Mas o desconhecido continuava gritando: “O homem não foi pra lua!!”. Aí apareceu a Bruxa Sonífera na cozinha que vinha pra pegar mais uma cerveja. Ela estava um pouco tonta. “Ei, Sonífera! Com álcool ou sem álcool, dá um jeito nesse intrometido dos infernos!”. Ela pegou uma garrafa de cerveja e abriu, deu um gole só e estalou os dedos da mão esquerda. Antes que o transloucado terminasse a frase “O homem não foi pra..” ele puff!!!!! Desapareceu. “Visch!!!! Que diabéisso!! O que tu fez com ele?”, perguntou Brunão. A Bruxa Sonífera abriu outra garrafa de cerveja e deu outro gole único e falou: “Mandei ele pra lua...”

*** 

Eu, Katiane, Keuria, Meije, Neilton, David, Junior Pastelaria e outros amigos abraçaram Brunão: “Porra Brunão!! Feliz aniversário!! É melhor festa de aniversário nesses seis anos que a gente faz festa aqui na casa do Professor Dário!!”. Brunão não estava tão feliz. “Caramba, o pessoal tá sujando demais a casa, até alguns móveis foram quebrados...”. “Égua Brunão! Para com isso!! Até parece que as outras festas não foram assim...E no final a gente limpa tudo, a gente limpa a casa. Caso tiver alguma coisa quebrada a gente compra um igual, não é?! Assim,  o Professor Dário nunca vai saber que a gente faz festa aqui na casa dele hahahahahaha!”.

*** 

Uma da manhã: Brunão estava mais tranquilo e relaxado. Ouvia Maracatu Atômico, de Chico Science & Nação Zumbi do lado de fora da cozinha, aí bebia e conversava com a gente. 

Momento depois, todos os convidados se reuniram na sala para cantar os parabéns pra você ao Brunão. Mas lá fora, naquela madrugada, começou uma ventania danada e poeira começou a subir na frente da casa e se espalhou por todo bairro Pirapora.  Sonífera e Katiane disseram que não era chuva, porque estava uma madrugada estrelada. “Ei, bicho! O que tá acontecendo lá fora?”, Brunão colocou as mãos sobre a sua cabeça careca. Só por curiosidade, Brunão se parece um pouco com Van Diesel.  “Será que é o professor Dário chegando? Putz Grila! Se for...tô lascado!”.

Brunão foi até a janela da sala, foi seguindo por todos que estavam lá com ele. Da janela, Brunão e os convidados viram o Professor Dário sobre seu tapete voador pousando suavemente na frente da casa. “Ei, bicho! Agora to lascado! É o professor Dário chegando da viagem, chegando antes dos trinta dias. To lascado mesmo!”.

***

Bruxa Sonífera deu o último gole de cerveja e saiu de fininho para o quintal: “Vou sair daqui o quantos antes!”. Ela deu um salto e saiu voando em forma de estrela cadente. Mas voava tombando nos fios de alta tensão, nos outdoors e nos prédios da cidade. 

Ela acabou caindo lá na Avenida Altamira, na frente do Bar Holiúdy. “Vou dar um tempo na cerveja. Hoje bebi demais. Aff!”. Ela se levantou e tentou arrumar seus cabelos caracolados. Tentou também limpar sua jaqueta e calça jeans que estavam quase todos chamuscados por causa dos fios de alta tensão que ela se chocou. “Cadê meu chapéu?”, ela ficou olhando para cima, pra ver se seu chapéu ainda cairia.

O chapéu preto em forma de cone chegou tranquilamente e pousou na cabeça de Sonífera: “Lindão!! Sabia que você não ia me abandonar!”. Lá da calçada do Bar Holiúdy, veio uma voz: “Ei, Sonífera!! Vem aqui, vem aqui com a gente beber cerveja”. Era Papai Touro que chamava por ela. Ele estava acompanhado da Mamãe Branca, Manel Preto, Compadre Assis e os Soviéticos. “Opa!! Cerveja é comigo mesma!!”, gritou a bruxa. Quando Sonífera se aproximou deles, Mamãe Branca se assustou: “Vixi, mulher! Tentaram de queimar na fogueira?”. Todos os clientes do bar riram da pergunta que mamãe fez pra Bruxa Sonífera.

***

Dário abriu a porta da sala e viu toda aquela gente na sua casa. No meio dessas pessoas, ele viu Brunão. Este não tinha como se esconder no meio dos seus convidados. Ele era o mais alto de todos

Dário caminhou até ao meio da sala e sentou numa cadeira. Brunão, por sinal muito preocupado, aproximou-se calmamente e disse: “Vamos limpar tudo, tá?! Limpar tudinho mesmo. O que tiver quebrado eu vou...”, Dário interrompeu Brunão: “Quer dizer que tu faz festas na minha casa e não me convida!? Não convida o próprio dono da casa?!!!”. Brunão envergonhado ficou olhando pro chão.

O professor falou novamente: “Brunão, vai ficar aí, calado!? Parado!? Me veja uma caneca de cerveja bem gelada!! Vamos !! É isso que eu quero hahahahahahaha!!”, e todos os presentes riram juntos daquele flagrante festivo. O Professor Dário voltou a falar: “Brunão aproveita e coloca aquela música Stuck In A Moment You Can’t Get Out Of, do U2...”

 

 Vai em paz amigo e Prof. Dário Azevedo dos Santos, sentiremos sua falta. Obrigado por tudo!!

 


Comentários

  1. A riqueza da narrativa boa leva pra dentro da história. Fantástico 👏

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  2. Salve a todos os q estão aí,os q estiveram e aos q não mais estão tmb. Que vá em paz o mano Dário.

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  3. Muito bom Ozzy... Lendo aqui tive uma lembrança dessas festas.....

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