"OBORA, TODO MUNDO!"
“Ô, vem cá Bagunça! Perigosa! Tu também
Confusão! Vem cá! Que condenação é essa que tão fazendo aí?! Não param
quietos!”. Coronel Chico Bezerra, acompanhado desses três cães, subiu a escada que dava
acesso a varanda do casarão. Os três cachorros não eram grandes. Já faz mais de
três anos que eles conviviam nas propriedades do Coronel. Este adotou esses
caninos no mesmo dia e foram encontrados em lugares diferentes. Bagunça foi
encontrado em torno da Estação de Trem de Castanhal. Ele tinha pelos de cor caramelo.
Nesse dia, Bezerra tinha amarrado seu cavalo de nome Charuto próximo da estação e saiu para fazer
compras no comércio castanhalense. Quando voltou encontrou esse cão conversando
com Charuto. Não ouviu o quê conversavam, mas conversa deveria ser engraçada
porque Charuto não parava de rir. “Oxê! Então vocês gostam de conversar”, disse
Chico aos dois animais, “Então vão continuar conversando lá na minha
propriedade”, e pegou Bagunça no colo e colocou na carroça que tinha rodas de
madeira que era conduzida por um dos trabalhadores do Coronel. “Obora, todo
mundo”, gritou o proprietário de terras.
Bagunça era bom de conversa, pois já
estava conversando com cavalo que puxava a carroça. Esse cavalo se chamava
Patada. Ele também ria das conversas do cão. “Ô, Cajuba”, falou Bezerra, “Tu tá
entendendo a conversa dos dois bichos aí?”. Cajuba riu, “Hahahahaha! Mas Coronel,
não entendo nada não hahahahaha”. Quando chegaram na estrada que leva pra
propriedade, encontraram mais outro cão. Ele estava sentado na beira da curva e
balançou a cauda quando viu a pequena tropa do Coronel se aproximando. Chico
viu que cãozinho de pelo preto não parava de balançar a cauda. “Pronto”, falou
Chico descendo do Charuto, “Vou te levar também. Obora vê se conversador
conversa contigo”.
De fato os dois cachorros conversavam sem
parar e vez e outra pedia opinião do Patada. Mas este só ria. “Arranjamos Coronel!!!
Dois conversadores HAHAHAHAHA!”. E na beira do Rio Janjão encontraram outro
cão. Ele estava de costas e olhava o rio. “Mas ulha Coronel! Mais um danado
ali, acho que esse foi abandonado!”, dizia Cajuba quanto descia da carroça e pegava
no colo aquele cachorrinho malhado. “Vamos completar essa festa, põe ele na
carroça também”. Cajuba olhou, olhou e disse “É fêmea, Coronel!”. “Não importa
não, põe logo aí e vamos atravessa a ponte”. Assim, Chico Bezerra levou esses
três cães para sua propriedade e chegaram lá bastante conversadores. Mas o
Coronel não tinha dado o nome pra eles. Os nomes vieram com fato que aconteceu
lá no terreno.
Quando os três foram colocados no chão
eles e se desembestaram pelas terras do Coronel. Correram pela plantação de
mandioca, pelo canavial, pelo cafezal, mijaram nos pés das árvores, correram
atrás das galinhas, pintos, patos e galos. Toda cavalada que estava amarrada
riram daqueles três virando bicho. Chico Bezerra já estava na varanda com Dona
Petra. Esta disse: “Mas homem de Deus!! Você trouxe três Satanás pra cá, pra
nossa casa!”. Bezerra, impressionado com a danação dos três cachorros, chamou
eles: “Bagunça! Confusão! Perigosa!”, assim eles receberam os devidos nomes,
“Se a quietem seus bichos do Demônio!”, se virou pra Petra e completou, “Não se
preocupa não, Mulher. A artes desses danados é de conversar”. Petra se benzeu.
Que bacana ler mais um conto depois desse hiato aqui no blog
ResponderExcluirTu é demais!
Muito obrigado! Em breve, terá outra postagem.
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